O que pode ser renegociado em situações extremas

 O que pode ser renegociado em situações extremas

Com a exigência do isolamento social por conta do novo coronavírus no Brasil, muitos negócios estão tendo que se adaptar. Esse processo envolve renegociar vários elementos que compunham o dia-a-dia da loja física, como aluguel, contas e empréstimos no banco. 

Estamos vivendo uma situação extrema e o momento pede flexibilidade de todas as partes, tanto sua, como dos seus fornecedores e locadores. Pensando nisso, montamos este artigo para ajudar você a renegociar pagamentos e reestruturar seu negócio nesse momento. Vamos começar?

TRÊS PRINCIPAIS APRENDIZADOS DE HOJE:

1.

O primeiro passo é planejar as contas e definir o que é essencial e o que não é necessário para o funcionamento do seu negócio. Assim, você tem mais clareza sobre o que precisa renegociar e quais valores e prazos deve propor na hora da renegociação.

2.

Seus fornecedores e locatários também estão enfrentando a crise e devem estar mais flexíveis para negociação nesse momento. No caso do aluguel, você pode propor a redução do valor mensal ou pagar apenas o condomínio durante os próximos meses, compensando o valor depois. Já, para os seus fornecedores, estender os prazos de pagamento pode ser uma saída, assim como fracionar suas compras.

3.

A última dica do nosso post é para você negociar também com o seu cliente. Ofereça prazos de troca maiores, afinal, o consumidor também está sofrendo com o isolamento. Se ele fechou um pacote de 1 mês com você, deixe que ele use essa compra pelos próximos 6 meses. Assim, ele consegue aproveitar aquilo pelo o que pagou.

Planejamento das contas

A primeira pessoa com quem você precisa renegociar nesse momento de crise é com você mesmo. É hora de colocar no papel (ou na planilha) o que é essencial para o seu negócio e o que não é. Esse processo vai te dar mais clareza sobre o que deve ser feito a seguir, o que vai precisar ser conversado com seus fornecedores e etc. 

Então, pense em iniciativas para manter seu negócio funcionando e faça uma previsão dos ganhos e das perdas que essas novas estratégias vão trazer. Por exemplo, se você tem um restaurante e nunca teve delivery, mas agora decidiu trabalhar com serviço de entrega, faça uma estimativa dos lucros. A partir disso, você tem números mais concretos que vão te ajudar no processo de negociação com seus fornecedores e para estimar o impacto da crise nas suas contas. 

Uma boa notícia é que, para ajudar as pequenas empresas, o governo federal adiou o pagamento do Simples por, pelo menos, três meses. Isso pode dar um respiro a mais para o seu negócio e deve entrar no seu planejamento. 

De qualquer forma, prepare-se para mudar algumas práticas no seu negócio, desde trocar fornecedores, até eliminar alguns produtos e/ou serviços, se for necessário. Uma boa dica para enfrentar o momento e continuar vendendo é investir nas suas redes sociais. Fizemos um artigo completo sobre o assunto. Vem ler: Como divulgar o seu negócio nas redes sociais

Aluguel

O aluguel é um tema bastante delicado nessa fase. Os contratos são feitos por tempos variáveis, podem durar 2 anos, 5 anos, enfim; e o descumprimento pode implicar em multas. Mas estamos em uma situação totalmente fora do comum. Então, é preciso (e possível) rever com seu locatário o esquema de aluguel. 

Para empresas que funcionavam somente em lojas físicas, continuar pagando aluguel sem utilizar o espaço pode causa ainda mais prejuízos do que aquelas que também têm a alternativa do e-commerce. 

O seu locatário está ciente da crise atual. Então, vale chamá-lo para conversar e renegociar o aluguel. Há algumas opções nesse sentido. Você pode:

  • propor terminar de pagar o mês de março e não realizar o pagamento dos meses seguintes 
  • combinar pagar apenas uma parcela dos aluguéis dos próximos meses
  • propor não pagar nada agora, mas assim que voltarmos à normalidade e você retomar suas vendas, pagar dois aluguéis por mês até compensar todos os meses não pagos ou escolher um prazo para quitar os pagamentos
  • dividir o condomínio com o locatário, mas não pagar o aluguel durante os meses de isolamento

Se o locatário não quiser chegar em um acordo e exigir o pagamento integral pelos meses que vem, você precisa avaliar o quanto isso é viável para o seu bolso. De toda forma, vale, sim, tentar negociar o aluguel. Uma dica é registrar, por escrito, o combinado de vocês. Assim, fica tudo arquivado para evitar dores de cabeça no futuro. 

Nesse momento de incerteza, o acordo é bom para os dois lados. Para o dono do negócio, reduzir ou eliminar o aluguel significa ganhar um fôlego a mais para superar a crise. Para o locatário, significa não ter seu espaço vazio por um prazo indeterminado. Por isso, é bem possível que vocês consigam chegar a um consenso. 

Fornecedores

Lembra que falamos sobre só deixar o essencial e tirar o que não é necessário das suas contas? Então, isso envolve os materiais e produtos que você compra dos seus fornecedores. Pense no que pode ser adiado e converse com eles. Uma ideia aqui é fazer compras fracionadas ao invés de comprar tudo de uma vez. 

Também vale repensar os prazos de pagamento e entrega. Talvez você precise ganhar fôlego para reestruturar sua empresa e conseguir pagar todas contas. Combine com os fornecedores como vai ser esse processo. A transparência é fundamental em qualquer situação, ainda mais agora. 

Exponha o que você planejou para sua empresa e peça a colaboração do seu fornecedor. Ele também está enfrentando a crise e não vai querer perder clientes neste momento. Por isso, ele deve estar mais disposto a negociar.  

Mais do que nunca, agora é importante fortalecer o relacionamento com o fornecedor para que vocês passem pela crise evitando grandes prejuízos. Montamos um conteúdo especial com dicas sobre como negociar com fornecedores. Confere aqui: 8 dicas essenciais de como negociar com fornecedores

Dívidas em bancos

Aqui fica mais fácil renegociar, porque os próprios bancos deram a possibilidade de prorrogar o prazo para o pagamento de dívidas. Caixa, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú Unibanco estenderam por 60 dias o prazo de vencimento dessas dívidas, seja para pessoas físicas, seja para micro e pequenas empresas. 

Mas atenção, a medida vale para contratos de créditos e pagadores em dia com os bancos. Ela não se aplica no caso de dívidas de cartão de crédito e cheque especial. A boa notícia é que alguns bancos também podem liberar mais crédito para as empresas que são boas pagadoras. De qualquer forma, dependendo de qual for o seu caso, fale com seu gerente e tente negociar com ele. 

Dica bônus: Trocas e garantia

Até agora, vimos situações em que você era o pagador e precisou renegociar valores. Como você, a maioria das pessoas está tentando fazer negociações para superar o momento. E isso vale para o seu cliente. Então, porque não ajudar e estender seus prazos de troca? 

Os prazos devem ser flexibilizados. Se o consumidor comprou um produto antes do período de isolamento, mas quer trocar, permita que ele faça isso quando tudo voltar à normalidade. Não se limite ao prazo de 30 dias. 

Se a sua empresa presta um serviço que já foi contratado pelo cliente, estenda a possibilidade de ele usá-lo por mais tempo, já que agora vai ser impossível. Por exemplo, se o consumidor fechou um pacote para 1 mês de um tratamento estético, aumente o prazo para 6 meses. Assim, ele vai poder desfrutar da compra que fez, ao invés de perder dinheiro. 

São ações simples, mas que demonstram solidariedade. O momento pede flexibilidade e compreensão. Assim, as negociações ficam mais fáceis de serem feitas e podem agradar a todos. 

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